Já dizia
Chico Buarque: “tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu”, a
urbe caótica com os seus atrasos e as dificuldades para ir e vir, os problemas cotidianos,
a falta de perspectivas e de esperança e uma semana sem hatha yoga são fatores
que me provocam um questionamento
básico: O que estou fazendo aqui? Nestes momentos bate um desânimo e a vontade
de mandar tudo “pra aquele” lugar e fugir para Shangrilá.
O que estou
fazendo aqui? Estamos tão no piloto automático, das cobranças, dos prazos, que
deixamos passar a reflexão sobre o que estamos fazendo e com o que estamos
lidando. No meio de turbilhão de pensamentos, me lembrei da minha visita à Taboquinhas,
um município do Sul da Bahia, onde conheci Beto e sua família.
Taboquinhas
é um vilarejo, cercado por roças de cacau, de pequenos produtores, depois de
caminhar umas duas horas, cheguei a pequena propriedade do Beto, ele produz cacau
em pequena escala, de uma maneira artesanal, este conhecimento foi herdado de seu pai, o
seu pai herdou do seu avó... Em nossa conversa descobri várias coisas, que as
terras daquela região pertenciam aos quilombolas, fiquei sabendo sobre a crise
do cacau da década de 90, sobre o enxerto de plantas para combater as pragas,
experimentei o “mel do cacau”, comi um monte de frutas que não conhecia, tomei
água do coco fresquinha, entre outras peripécias. Na casa do Beto não tem
energia elétrica, se caminha muito para chegar ao vilarejo, é muito difícil transportar
qualquer coisa, não tem vizinhos e há um contato íntimo com a natureza. O Beto
não frequentou a faculdade, nem cursos de capacitação de média ou curta duração,
mas sua criatividade e o conhecimento sobre o cacau e a região que ele vive, me
impressionou, muito mais do que a fala de muito doutor que já vi por aí, o
conhecimento sobre a natureza, sobre a vida das pessoas me encantou e me
ensinou um tanto naquela tarde de setembro que passamos juntos.
Estou
falando de Taboquinhas e deste encontro, porque enquanto estava imersa naqueles
pensamentos chatos que comentei no início do meu texto, me lembrei que existem
outros lugares, outros modos de vida, diferentes modos de contar histórias e
conviver com as nossas memórias, o
encontro com o Beto e sua galera me mostrou isto, com simplicidade e com a
docilidade parecida com a do mel do cacau, nos momentos de caos é bom ter um
reservatório de boas lembranças dentro de si para que elas equilibrem nosso
presente inconstante e nosso futuro tão incerto.
Ah!!Bahia, que saudades, realmente minha amiga, em tempos de assassinos, o melhor que fazemos e elevar nossos pensamentos, e confiarmos, desejarmos e respirarmos outros mundos!BEijos!
ResponderExcluirLucas
Próxima parada, Caruaru = ), procurar e respirar outros mundos, beijão Lucas!
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