quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Às vezes, é preciso ir para Taboquinhas


Já dizia Chico Buarque: “tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu”, a urbe caótica com os seus atrasos e as dificuldades para ir e vir, os problemas cotidianos, a falta de perspectivas e de esperança e uma semana sem hatha yoga são fatores que me provocam um questionamento básico: O que estou fazendo aqui? Nestes momentos bate um desânimo e a vontade de mandar tudo “pra aquele” lugar e fugir para Shangrilá.  
O que estou fazendo aqui? Estamos tão no piloto automático, das cobranças, dos prazos, que deixamos passar a reflexão sobre o que estamos fazendo e com o que estamos lidando. No meio de turbilhão de pensamentos, me lembrei da minha visita à Taboquinhas, um município do Sul da Bahia, onde conheci Beto e sua família.
Taboquinhas é um vilarejo, cercado por roças de cacau, de pequenos produtores, depois de caminhar umas duas horas, cheguei a pequena propriedade do Beto, ele produz cacau em pequena escala, de uma maneira artesanal,  este conhecimento foi herdado de seu pai, o seu pai herdou do seu avó... Em nossa conversa descobri várias coisas, que as terras daquela região pertenciam aos quilombolas, fiquei sabendo sobre a crise do cacau da década de 90, sobre o enxerto de plantas para combater as pragas, experimentei o “mel do cacau”, comi um monte de frutas que não conhecia, tomei água do coco fresquinha, entre outras peripécias. Na casa do Beto não tem energia elétrica, se caminha muito para chegar ao vilarejo, é muito difícil transportar qualquer coisa, não tem vizinhos e há um contato íntimo com a natureza. O Beto não frequentou a faculdade, nem cursos de capacitação de média ou curta duração, mas sua criatividade e o conhecimento sobre o cacau e a região que ele vive, me impressionou, muito mais do que a fala de muito doutor que já vi por aí, o conhecimento sobre a natureza, sobre a vida das pessoas me encantou e me ensinou um tanto naquela tarde de setembro que passamos juntos.
Estou falando de Taboquinhas e deste encontro, porque enquanto estava imersa naqueles pensamentos chatos que comentei no início do meu texto, me lembrei que existem outros lugares, outros modos de vida, diferentes modos de contar histórias e conviver com as nossas memórias,  o encontro com o Beto e sua galera me mostrou isto, com simplicidade e com a docilidade parecida com a do mel do cacau, nos momentos de caos é bom ter um reservatório de boas lembranças dentro de si para que elas equilibrem nosso presente inconstante e nosso futuro tão incerto. 





2 comentários:

  1. Ah!!Bahia, que saudades, realmente minha amiga, em tempos de assassinos, o melhor que fazemos e elevar nossos pensamentos, e confiarmos, desejarmos e respirarmos outros mundos!BEijos!

    Lucas

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  2. Próxima parada, Caruaru = ), procurar e respirar outros mundos, beijão Lucas!

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