terça-feira, 19 de junho de 2012

um pedaço de uma leitura que gostei bastante...


"Certa vez, Noci me contou do vazio da sua relação com Aproximado. Como o namoro, com o tempo, se tinha vazado. Distintos que parecessem os nossos trajectos, nós pisávamos as mesmas pegadas. Eu saíra da minha terra para procurar um homem que me traía. Ela traía-se a si mesma com alguém que não amava.
-- Por que aceitamos tanto? – questionou Noci.
-- Quem?
-- Nós, mulheres. Por que aceitamos tanto, tudo?
-- Porque temos medo.
O nosso maior medo é o da solidão. Uma mulher não pode existir sozinha, sob o risco de deixar de ser mulher. Ou se converte, para tranquilidade de todos, numa outra coisa: numa louca, numa velha, numa feiticeira. Ou, como diria Silvestre, numa puta. Tudo menos mulher. Foi isto que eu disse a Noci: neste mundo só somos alguém se formos esposa. É o que agora sou, mesmo sendo viúva. Sou a esposa de um morto."

Mia Couto, Antes de nascer o mundo

sábado, 2 de junho de 2012

Yael Naim



Comprei o ingresso para o show da moça, meio no escuro, achando que se tratava de uma boa voz com piano, lá fui eu, assisti-la no Teatro do Sesc Pompeia na última quinta-feira, acompanhada de mim mesma, acabei me deparando com um dos melhores shows que vi nos últimos tempos.
Yael Naim me encantou, começou o show com uma simplicidade de poucos artistas e foi crescendo, integrando o público em suas falas e músicas como se estivesse entre velhos conhecidos, quando percebi estava tomada por sua musicalidade e pela energia que ela espalhou entre os que estavam presentes, chegando à conclusão que a música dissolve fronteiras e distâncias culturais e que existem pessoas que se iluminam e iluminam tudo a sua volta com o seu trabalho.
A desvantagem de assistir show sem a companhia de um amigo ou algo parecido é não poder dizer no final: “Caralho! O que foi isso? Que som foi esse?” Guardei para mim e compartilho um pedaço com vocês agora…

sábado, 26 de maio de 2012


Meu caro amigo me perdoe, por favor, mas não dá para sorrir e ser bem-humorado o tempo inteiro, há um limite. Entende? Há dias em que o dia sorri para você e outros não, há dias que você quer fazer parte do todo, conspirar com o universo e há dias que você precisa estar sozinho para fazer um ensaio do que é estar sozinho, porque chegamos neste mundo e partiremos assim, fato! Tem tempos que queremos arduamente as fotografias coloridas, mas há momentos que as cores ofuscam e você prefere os retratos em preto e branco. Gosto de observar os movimentos da natureza, as árvores não estão carregadas de frutos e flores o tempo inteiro, há aquelas fases nas quais elas ficam tristonhas, desprovidas de folhas, tímidas, fase necessária para elas chegarem a espalhar a vida no tempo que considerem certo. Mas o mundão quer sorrisos, quer frases “Cara, eu tô tão feliz!!!”, quer comentários otimistas nas miseráveis redes sociais: “Meeeeu que dia super lindo!!!”. Qualquer coisa que fuja das palavras de ordem do “amor” e da “alegria” é vista como transtorno. Pensemos...

domingo, 6 de maio de 2012

Domingo no parque


Há pouco tempo descobri o Parque da Juventude, próximo da minha casa, como boa paulistana deixo de conhecer lugares incríveis, por falta de tempo, interesse ou energia. Neste parque já vi bons shows em domingos pela manhã, mas a dinâmica de ver o show, caminhar um pouco e voltar para casa, faz com que detalhes bonitos de um domingo ao ar livre, em um lugar público passem desapercebidos. No contra fluxo dos grandes eventos, outro dia fiz um pic nic por lá para comemorar o aniversário de uma grande amiga e pude observar os arredores com calma o que fez com que absorvesse imagens  e sensações muito bonitas.






sábado, 7 de abril de 2012

Impressões depois de ir ao cinema em uma sexta-feira santa...


Existem muitas maneiras de compartilhar uma história e de construir memórias, depois de assistir o filme Xingu, me senti tocada por ter contato a trajetória dos irmãos Villas Boas, que conhecia muito pouco das parcas leituras que fiz ao estudar um pouco de antropologia no meu curso de História. Após assistir o filme o sentimento que tive foi:  “Legal que houve esta iniciativa”, mas ao mesmo tempo não pude deixar de pensar que nossa sociedade tem mil maneiras de contar suas histórias (e a dos outros), por meio de inúmeros recursos e linguagens, seremos no mínimo inocentes achando que podemos contar todas as histórias com as nossas parafernálias tecnológicas e rigores intelectuais. Estou convencida de que boa parte das sociedades indígenas transmitem suas memórias através da oralidade e este é um território muito difícil de penetrarmos, não achemos que há um jeito melhor ou pior de “contar algo”, mas aceitemos que existem muitos modos e ângulos diferentes e por mais que seja bonita uma história contada por um “cara pálida”, não quero correr o risco de acreditar que esta seja suficiente.