Um lugar para compartilhar ideias, experiências e olhares sobre a vida e sobre um pouco do mundo...
quarta-feira, 20 de junho de 2012
terça-feira, 19 de junho de 2012
um pedaço de uma leitura que gostei bastante...
"Certa vez, Noci me contou do vazio da sua relação com
Aproximado. Como o namoro, com o tempo, se tinha vazado. Distintos que parecessem os nossos trajectos,
nós pisávamos as mesmas pegadas. Eu saíra da minha terra para procurar um homem
que me traía. Ela traía-se a si mesma com alguém que não amava.
-- Por que aceitamos tanto? – questionou Noci.
-- Quem?
-- Nós, mulheres. Por que aceitamos tanto, tudo?
-- Porque temos medo.
O nosso
maior medo é o da solidão. Uma mulher não pode existir sozinha, sob o risco de
deixar de ser mulher. Ou se converte, para tranquilidade de todos, numa outra
coisa: numa louca, numa velha, numa feiticeira. Ou, como diria Silvestre, numa
puta. Tudo menos mulher. Foi isto que eu disse a Noci: neste mundo só somos
alguém se formos esposa. É o que agora sou, mesmo sendo viúva. Sou a esposa de
um morto."
Mia Couto, Antes de nascer o mundo
sábado, 2 de junho de 2012
Yael Naim
Comprei o ingresso para o show da moça, meio no escuro,
achando que se tratava de uma boa voz com piano, lá fui eu, assisti-la no
Teatro do Sesc Pompeia na última quinta-feira, acompanhada de mim mesma, acabei
me deparando com um dos melhores shows que vi nos últimos tempos.
Yael Naim me
encantou, começou o show com uma simplicidade de poucos artistas e foi
crescendo, integrando o público em suas falas e músicas como se estivesse entre
velhos conhecidos, quando percebi estava tomada por sua musicalidade e pela
energia que ela espalhou entre os que estavam presentes, chegando à conclusão
que a música dissolve fronteiras e distâncias culturais e que existem pessoas
que se iluminam e iluminam tudo a sua volta com o seu trabalho.
A desvantagem de assistir show sem a companhia de um amigo
ou algo parecido é não poder dizer no final: “Caralho! O que foi isso? Que som foi esse?” Guardei para mim e
compartilho um pedaço com vocês agora…
sábado, 26 de maio de 2012
Meu caro amigo me perdoe, por favor, mas não dá para sorrir
e ser bem-humorado o tempo inteiro, há um limite. Entende? Há dias em que o dia
sorri para você e outros não, há dias que você quer fazer parte do todo,
conspirar com o universo e há dias que você precisa estar sozinho para fazer um
ensaio do que é estar sozinho, porque chegamos neste mundo e partiremos assim,
fato! Tem tempos que queremos arduamente as fotografias coloridas, mas há
momentos que as cores ofuscam e você prefere os retratos em preto e branco.
Gosto de observar os movimentos da natureza, as árvores não estão carregadas de
frutos e flores o tempo inteiro, há aquelas fases nas quais elas ficam tristonhas,
desprovidas de folhas, tímidas, fase necessária para elas chegarem a espalhar a
vida no tempo que considerem certo. Mas o mundão quer sorrisos, quer frases “Cara,
eu tô tão feliz!!!”, quer comentários otimistas nas miseráveis redes sociais: “Meeeeu
que dia super lindo!!!”. Qualquer coisa que fuja das palavras de ordem do “amor”
e da “alegria” é vista como transtorno. Pensemos...
domingo, 6 de maio de 2012
Domingo no parque
Há pouco
tempo descobri o Parque da Juventude, próximo da minha casa, como boa
paulistana deixo de conhecer lugares incríveis, por falta de tempo, interesse
ou energia. Neste parque já vi bons shows em domingos pela manhã, mas a
dinâmica de ver o show, caminhar um pouco e voltar para casa, faz com que
detalhes bonitos de um domingo ao ar livre, em um lugar público passem desapercebidos.
No contra fluxo dos grandes eventos, outro dia fiz um pic nic por lá para
comemorar o aniversário de uma grande amiga e pude observar os arredores com
calma o que fez com que absorvesse imagens e sensações muito bonitas.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
sábado, 7 de abril de 2012
Impressões depois de ir ao cinema em uma sexta-feira santa...
Existem muitas maneiras de compartilhar uma história e de
construir memórias, depois de assistir o filme Xingu, me senti tocada por ter
contato a trajetória dos irmãos Villas Boas, que conhecia muito pouco das
parcas leituras que fiz ao estudar um pouco de antropologia no meu curso de
História. Após assistir o filme o sentimento que tive foi: “Legal que houve esta iniciativa”, mas ao
mesmo tempo não pude deixar de pensar que nossa sociedade tem mil maneiras de
contar suas histórias (e a dos outros), por meio de inúmeros recursos e
linguagens, seremos no mínimo inocentes achando que podemos contar todas as
histórias com as nossas parafernálias tecnológicas e rigores intelectuais. Estou
convencida de que boa parte das sociedades indígenas transmitem suas memórias através
da oralidade e este é um território muito difícil de penetrarmos, não achemos
que há um jeito melhor ou pior de “contar algo”, mas aceitemos que existem
muitos modos e ângulos diferentes e por mais que seja bonita uma história
contada por um “cara pálida”, não quero correr o risco de acreditar que esta
seja suficiente.
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