terça-feira, 11 de setembro de 2012

A Ditadura da Pílula


A prática da yoga me deixou mais conectada com os movimentos internos e externos do meu corpo e com as conexões dele com a natureza, passei a observar como meus ciclos estão ligados aos ciclos da lua, por exemplo, também percebi como tudo funciona melhor quando não estou fazendo uso de anticoncepcionais hormonais, que me causam uma alteração de humor tão violenta que eu pessoa apaixonada pela vida, tenho vontade de me atirar embaixo de um ônibus ou incendiar minha própria casa, além de enxaquecas, mal estar, entre outras pendengas. Ler a bula de um anticoncepcional é algo assustador, os efeitos colaterais a curto e longo prazo são muitos, ignorei estes por muitos anos, pois em nome da praticidade, deixamos de lado questões importantes e só quando o bicho pega nos damos conta delas, recentemente fui diagnosticada com um mioma uterino e ao ler com atenção uma bula do anticoncepcional que tomei por muito tempo, vi que este é um dos possíveis efeitos colaterais.
Pois bem, não adianta chorar o leite derramado, parti em busca de alternativas aos métodos anticoncepcionais hormonais, não acho prudente confiar só na “prudence” e comecei a conversar e pesquisar sobre o assunto. Cheguei à conclusão de que o uso do diafragma poderia ser uma boa opção para mim, pois é um método inócuo, simples e barato comparado ao que se tem por aí.
No mês de junho procurei uma ginecologista para me ajudar a executar o plano no Centro de Referência da Mulher do meu convênio “Intermédica” e daí começou uma verdadeira via-crúcis que parece longe de acabar, o Centro de Referência da Mulher não possui equipamentos, nem profissionais que possam prescrever o uso do diafragma, ao insistir na escolha do meu método anticoncepcional, fui convidada para uma segunda consulta com uma outra médica que quis me convencer que o “DIU” seria muito melhor para mim, mas concluí que não quero usar este método, pois é recomendável para mulheres que já tiveram filhos e ouvi alguns relatos que não me agradaram. Enfim depois de mais de dois anos pagando o tal convênio, percebi que seria difícil receber ajuda, o que causou além da perda de tempo, indignação. Nas pesquisas na internet soube que algumas Unidades Básicas de Saúde do SUS, realizam o procedimento, mas o tempo do SUS pode ser literalmente uma vida e a comunicação via telefone ou internet é impossível, então me vi na tal situação “no mato, sem cachorro”. Depois de no mínimo umas trinta  ligações para diversos consultórios médicos de São Paulo, encontrei uma médica que realiza o procedimento, mas como nada é simples teve que acontecer uma conversa contando toda a minha história, espero que a epopeia esteja chegando perto do fim.
O resumo da ópera e o que gostaria de compartilhar com vocês, é que percebi como é complicado fazer valer as nossas escolhas, quando elas fogem um pouco da rotina, do método que é imposto para a maioria, óbvio que os benefícios que as mulheres tem e tiveram com o uso da pílula são indiscutíveis, mas será esta a única opção? Escolher o que você quer ou não quer fazer com o seu corpo, é um papo sério, ultimamente vejo uma militância engajada das mulheres que defendem o parto humanizado, um viva para as mulheres que querem escolher como ter seus filhos e um viva para as mulheres que querem escolher como NÃO ter os seus filhos.
Para quem quiser saber mais:

terça-feira, 19 de junho de 2012

um pedaço de uma leitura que gostei bastante...


"Certa vez, Noci me contou do vazio da sua relação com Aproximado. Como o namoro, com o tempo, se tinha vazado. Distintos que parecessem os nossos trajectos, nós pisávamos as mesmas pegadas. Eu saíra da minha terra para procurar um homem que me traía. Ela traía-se a si mesma com alguém que não amava.
-- Por que aceitamos tanto? – questionou Noci.
-- Quem?
-- Nós, mulheres. Por que aceitamos tanto, tudo?
-- Porque temos medo.
O nosso maior medo é o da solidão. Uma mulher não pode existir sozinha, sob o risco de deixar de ser mulher. Ou se converte, para tranquilidade de todos, numa outra coisa: numa louca, numa velha, numa feiticeira. Ou, como diria Silvestre, numa puta. Tudo menos mulher. Foi isto que eu disse a Noci: neste mundo só somos alguém se formos esposa. É o que agora sou, mesmo sendo viúva. Sou a esposa de um morto."

Mia Couto, Antes de nascer o mundo

sábado, 2 de junho de 2012

Yael Naim



Comprei o ingresso para o show da moça, meio no escuro, achando que se tratava de uma boa voz com piano, lá fui eu, assisti-la no Teatro do Sesc Pompeia na última quinta-feira, acompanhada de mim mesma, acabei me deparando com um dos melhores shows que vi nos últimos tempos.
Yael Naim me encantou, começou o show com uma simplicidade de poucos artistas e foi crescendo, integrando o público em suas falas e músicas como se estivesse entre velhos conhecidos, quando percebi estava tomada por sua musicalidade e pela energia que ela espalhou entre os que estavam presentes, chegando à conclusão que a música dissolve fronteiras e distâncias culturais e que existem pessoas que se iluminam e iluminam tudo a sua volta com o seu trabalho.
A desvantagem de assistir show sem a companhia de um amigo ou algo parecido é não poder dizer no final: “Caralho! O que foi isso? Que som foi esse?” Guardei para mim e compartilho um pedaço com vocês agora…

sábado, 26 de maio de 2012


Meu caro amigo me perdoe, por favor, mas não dá para sorrir e ser bem-humorado o tempo inteiro, há um limite. Entende? Há dias em que o dia sorri para você e outros não, há dias que você quer fazer parte do todo, conspirar com o universo e há dias que você precisa estar sozinho para fazer um ensaio do que é estar sozinho, porque chegamos neste mundo e partiremos assim, fato! Tem tempos que queremos arduamente as fotografias coloridas, mas há momentos que as cores ofuscam e você prefere os retratos em preto e branco. Gosto de observar os movimentos da natureza, as árvores não estão carregadas de frutos e flores o tempo inteiro, há aquelas fases nas quais elas ficam tristonhas, desprovidas de folhas, tímidas, fase necessária para elas chegarem a espalhar a vida no tempo que considerem certo. Mas o mundão quer sorrisos, quer frases “Cara, eu tô tão feliz!!!”, quer comentários otimistas nas miseráveis redes sociais: “Meeeeu que dia super lindo!!!”. Qualquer coisa que fuja das palavras de ordem do “amor” e da “alegria” é vista como transtorno. Pensemos...

domingo, 6 de maio de 2012

Domingo no parque


Há pouco tempo descobri o Parque da Juventude, próximo da minha casa, como boa paulistana deixo de conhecer lugares incríveis, por falta de tempo, interesse ou energia. Neste parque já vi bons shows em domingos pela manhã, mas a dinâmica de ver o show, caminhar um pouco e voltar para casa, faz com que detalhes bonitos de um domingo ao ar livre, em um lugar público passem desapercebidos. No contra fluxo dos grandes eventos, outro dia fiz um pic nic por lá para comemorar o aniversário de uma grande amiga e pude observar os arredores com calma o que fez com que absorvesse imagens  e sensações muito bonitas.






sábado, 7 de abril de 2012

Impressões depois de ir ao cinema em uma sexta-feira santa...


Existem muitas maneiras de compartilhar uma história e de construir memórias, depois de assistir o filme Xingu, me senti tocada por ter contato a trajetória dos irmãos Villas Boas, que conhecia muito pouco das parcas leituras que fiz ao estudar um pouco de antropologia no meu curso de História. Após assistir o filme o sentimento que tive foi:  “Legal que houve esta iniciativa”, mas ao mesmo tempo não pude deixar de pensar que nossa sociedade tem mil maneiras de contar suas histórias (e a dos outros), por meio de inúmeros recursos e linguagens, seremos no mínimo inocentes achando que podemos contar todas as histórias com as nossas parafernálias tecnológicas e rigores intelectuais. Estou convencida de que boa parte das sociedades indígenas transmitem suas memórias através da oralidade e este é um território muito difícil de penetrarmos, não achemos que há um jeito melhor ou pior de “contar algo”, mas aceitemos que existem muitos modos e ângulos diferentes e por mais que seja bonita uma história contada por um “cara pálida”, não quero correr o risco de acreditar que esta seja suficiente.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Sim, somos buarquianas...

Passeando pelas calçadas cariocas, com duas boas amigas chegamos a conclusão que Chico Buarque é um cara que entende da alma feminina. Óbvio que não descobrimos a América, os senhores jornalistas entoam esta frase quase como um mantra, mas pensando juntas sobre o momento de cada uma e sobre as aventuras e desventuras dos amores e da vida, concluímos que Chico nos presenteia com uma bela música para cada ocasião. Chico veste nossa alma, desenhando os cenários e figurinos, que se modificam a todo instante, afinal, somos camaleoas, muitas já passaram pelo estado de menina de tranças ingênua, menina da dança vigiada por algum abutre, mulheres amantes, (des) amadas, despeitadas, resolvidas, enlouquecidas, confusas e plenas. É muito bom poder contar com uma trilha sonora e um entendimento para tudo isto. Bom, chega de conversa, aí vai um pouco de Chico Buarque, temperando as graças e desgraças da existências femininas.

Aquele estado idílico de quando estamos perdidamente apaixonadas e sem noção do mundo:

Para aqueles momentos que percebe que é o fim da linha e resolve dar o aviso prévio para o cidadão:

Chegada a hora de pegar as tralhas e ir embora, naquele estadinho meio cão sem dono:

Nas ocasiões em que você leva aquele “chega pra lá”, mas a dignidade fala mais alto e vem a reação em grande estilo (adoro!):

Quando sentimos que perdemos quase tudo, que todos nos olham de banda, mas sabemos que somos fênix e tudo vai ficar mais ou menos bem...

Livres, leves e soltas...

domingo, 11 de março de 2012

Socorro!!! Eu não preciso de um príncipe encantado!!


Os dias de TPM significam para mim uma vontade de deixar o corpo descansar, infelizmente não há esta possibilidade nos dias ditos utéis, mas com um final de semana inteirinho para mim, minha escolha foi alugar cinco filmes, por cinco reais, ficar com os meus livros e com três Stellas Artois que estavam debaixo da escada.
Um dos filmes, tenho até vergonha de citar o nome, tratava de um romance mamão com açúcar com pitadas de humor, bem século XXI, uma moça encalhada e insegura que passou dos trinta anos e precisa encontrar um marido como única solução de sobrevivência digna. Este tema é batido, em séries, novelas, filmes, romances como os da irlandesa Marian Keyes, em alguns momentos até achei a temática divertida, mas hoje concluí que são histórias que exploram um drama humano para lá de deprimente.
Tanto se fala da liberação das mulheres, da conquista dos postos de liderança e de outras façanhas femininas, mas desde muito tempo as histórias das Cinderelas e a perseguição obstinada do grande final feliz que vem embutido com a pergunta: “Você quer casar comigo?” Continuam a espreitar meninas e mulheres colocando a felicidade como um fim e não como um processo, que deve ser constante e equilibrado,  não limitado a porra de um pedido de casamento e seus desdobramentos.
Poderia escrever dias e dias sobre isso, com base nas minhas experiências e observações, como um Marquês de Sade despirocado em sua cela, mas o que quero dizer é que as possibilidades de plenitude  e de equílibrio não estão limitadas ao fato de você ter um macho alfa colado em você ou não.
Existem múltiplos caminhos e possibilidades, sem radicalismos, eu respeito quem assume esta opção, embora sinta que em muitas circunstâncias não sou respeitada na minha, o fato de não ser uma senhora e não ter esta questão como foco da minha vida não quer dizer que eu seja uma pessoa amarga ou mal humorada. Gosto de caminhar na grama molhada, sentir o calor do sol, passar o dia na praia, viajar, comer pipoca fazendo barulhinho no cinema, gosto de crianças, de brigadeiro, de conversar com velhos simpáticos, de conhecer pessoas e não tomo ansiolíticos e nem nada parecido.
Portanto, não me aporrinhem, com esta história de marido, noivo ou namorado. Definitivamente, eu não PRECISO, de um príncipe (des) encantado!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Por que vivo de amores pelo carnaval?


Bloco da  Orquestra Voadora no Aterro do Flamengo, RJ, 2011

Acho que as pessoas se dividem em três categorias: as que amam o carnaval, as que odeiam o carnaval e as neutras, que não dão a mínima para ele. Em alguns anos me enquadrei na terceira categoria, usava o feriado prolongado para fugir de São Paulo e passar alguns dias em alguma praia tranquila, distante de batuques e pessoas fantasiadas...
Penso que quem não gosta do carnaval são mal-humorados por natureza ou pessoas religiosas que querem ficar longe da “festa cheia de pecados e excessos” (o que respeito). Sair da neutralidade para mim é um fato que está conectado com ao meu envolvimento com a festa, já desfilei em escola de carnaval de Porangaba, interior de São Paulo, já segui o cordão “Vermelho e Branco” em Socorro também no interior, mas há quatro anos a paixão ficou mais forte, um grupo de amigos criou em 2008 o bloco João Capota na Alves, que toma as ruas de Pinheiros com muito batuque e irreverência, estar com os amigos é uma das coisas que mais amo e ver a quebra da rotina paulistana com seus carros e pressas dilacerada no meio das traquinagens carnavalescas é algo muito bonito, a partir disto “brincar” o carnaval passou a ter um novo sentido para mim.
Para completar no ano passado finalmente conheci o carnaval do Rio de Janeiro, que multiplica a experiência paulistana dezenas de vezes, porque a cidade e a população respiram carnaval, em um movimento que toma as ruas e os espaços mais inusitados: é divertido ir comprar café da manhã no supermercado e se deparar com uma senhora de cinquenta anos com uma máscara cheia de brilho, ver velhos e crianças brincando com intensidade, perceber a solidariedade feminina para fabricar paredões humanos para poder fazer xixi, entre outras coisas.
O carnaval é uma pausa, mas não uma mera pausa, como férias ou feriados prolongados, é um momento cheio de risos, cores e sons, que para mim traduzem alguns dos significados da palavra “vida”.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Festa lá no Rio Vermelho...


No dia 02 de fevereiro de 2004, eu estava em Salvador na Bahia, lá no Rio Vermelho e participei desta festa linda, que é a Festa de Iemanjá. Hoje estive vontade de estar lá novamente.

Engraçado que há oito anos, eu ainda usava uma máquina digital analógica e parti para esta trip apenas com um filme de 36 poses. Ao voltar para o hostel  do seu Robson onde estava hospedada com minha grande amiga Carol recebemos os presentes da sereia. Dias de verão coloridos e bonitos foram aqueles, é gostoso lembrá-los. Logo mais vou postar um Silvano Salles, para vocês conhecerem o hit do verão baiano destes tempos...




sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Abrindo os trabalhos de 2012...

Depois de pular as sete ondas na Terra do Sol e de alguns dias entregues ao "dolce far niente" e repletos de ótimos encontros, o Mira e a Mi voltam a ativa. Sinto a necessidade ir além das mirações derivadas do nosso cotidiano urbanóide e de me deparar com outras cores, sabores, sotaques, musicalidades e realidades, fui conhecer e andar um pouco pelo Ceará e Pernambuco e trago na bagagem algumas mirações que dividirei em doses homeopáticas. 
Compartilho um vídeo com Alex Costa, anfitrião do preciosíssimo Restaurante Big Bode, falando sobre o Alto do Moura: "O maior centro de artes figurativas das Américas".
Um excelente ano para todos nós!! 

Conheçam o Alto do Moura e o Restaurante "Big Bode"