quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Carnaval natural

Ilha do Combu, Pará
Carnaval é uma consequência, dos anos mal vividos e bem vividos. É aquele intervalo, depois daquelas festividades enfadonhas e as doces férias de verão (que em São Paulo podem ser frias) e o momento em que o ano começa de verdade para valer valendo. Sejamos  honestos, nada começa antes do carnaval, neste Brasil, sil, sil...
Quando se decide começar o ano mais cedo, antes do carnaval, a punição é severa. Eu decidi não só começar o ano antes, mas começar uma vida mais ou menos nova, dentro das possibilidades cabivéis. Do sudeste para o norte.
Há tempos quero revisar as minhas mirações para tentar dar conta deste movimento todo, coisa dos últimos meses, mas não tive tempo, nem vontade para fazer isto, desde então. Depois de uma visitinha à Cidade do México e seus arredores, cheguei a conclusão que não é possível “mirar” em apenas 10, 20, 25 ou 30 dias e que era necessário “mirar” para além da minha vida periférica-alternativex, burocrática paulistana, é preciso de mais tempo para sonhar com outras perspectivas que não sejam tão formatadas. O formato de viagem “férias”, pode trazer vários elementos como: a possibilidade de largar a vida para viver neste novo lugar, a valorização do seu trabalho pelas oportunidades que este pode te trazer para explorar o mundo ou a a conclusão de que a sua vida não está de acordo com o que você pensa e acredita.
Acabei me deparando com esta última opção e uma das primeiras coisas que se apresentaram como uma barreira quase que instransponível foi deixar meu carnaval do eixo São Paulo-Rio de Janeiro. 
Passei o sábado de carnaval na Ilha do Combu, procurando o boto-rosa, vendo as crianças se banharem na  margem do rio, vendo as roupas coloridas em distantes varais, movimentando-me na água doce e trocando palavras de interesse, interessantes. Quando o sol caiu, voltei para casa para concluir que este carnaval foi o mais natural de todos os tempos. E que existe algo além da margem do rio, que eu preciso transpor, sem fantasia. Talvez para me preparar para isto, foi necessário vestir-me de sobriedade.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

A Ditadura da Pílula


A prática da yoga me deixou mais conectada com os movimentos internos e externos do meu corpo e com as conexões dele com a natureza, passei a observar como meus ciclos estão ligados aos ciclos da lua, por exemplo, também percebi como tudo funciona melhor quando não estou fazendo uso de anticoncepcionais hormonais, que me causam uma alteração de humor tão violenta que eu pessoa apaixonada pela vida, tenho vontade de me atirar embaixo de um ônibus ou incendiar minha própria casa, além de enxaquecas, mal estar, entre outras pendengas. Ler a bula de um anticoncepcional é algo assustador, os efeitos colaterais a curto e longo prazo são muitos, ignorei estes por muitos anos, pois em nome da praticidade, deixamos de lado questões importantes e só quando o bicho pega nos damos conta delas, recentemente fui diagnosticada com um mioma uterino e ao ler com atenção uma bula do anticoncepcional que tomei por muito tempo, vi que este é um dos possíveis efeitos colaterais.
Pois bem, não adianta chorar o leite derramado, parti em busca de alternativas aos métodos anticoncepcionais hormonais, não acho prudente confiar só na “prudence” e comecei a conversar e pesquisar sobre o assunto. Cheguei à conclusão de que o uso do diafragma poderia ser uma boa opção para mim, pois é um método inócuo, simples e barato comparado ao que se tem por aí.
No mês de junho procurei uma ginecologista para me ajudar a executar o plano no Centro de Referência da Mulher do meu convênio “Intermédica” e daí começou uma verdadeira via-crúcis que parece longe de acabar, o Centro de Referência da Mulher não possui equipamentos, nem profissionais que possam prescrever o uso do diafragma, ao insistir na escolha do meu método anticoncepcional, fui convidada para uma segunda consulta com uma outra médica que quis me convencer que o “DIU” seria muito melhor para mim, mas concluí que não quero usar este método, pois é recomendável para mulheres que já tiveram filhos e ouvi alguns relatos que não me agradaram. Enfim depois de mais de dois anos pagando o tal convênio, percebi que seria difícil receber ajuda, o que causou além da perda de tempo, indignação. Nas pesquisas na internet soube que algumas Unidades Básicas de Saúde do SUS, realizam o procedimento, mas o tempo do SUS pode ser literalmente uma vida e a comunicação via telefone ou internet é impossível, então me vi na tal situação “no mato, sem cachorro”. Depois de no mínimo umas trinta  ligações para diversos consultórios médicos de São Paulo, encontrei uma médica que realiza o procedimento, mas como nada é simples teve que acontecer uma conversa contando toda a minha história, espero que a epopeia esteja chegando perto do fim.
O resumo da ópera e o que gostaria de compartilhar com vocês, é que percebi como é complicado fazer valer as nossas escolhas, quando elas fogem um pouco da rotina, do método que é imposto para a maioria, óbvio que os benefícios que as mulheres tem e tiveram com o uso da pílula são indiscutíveis, mas será esta a única opção? Escolher o que você quer ou não quer fazer com o seu corpo, é um papo sério, ultimamente vejo uma militância engajada das mulheres que defendem o parto humanizado, um viva para as mulheres que querem escolher como ter seus filhos e um viva para as mulheres que querem escolher como NÃO ter os seus filhos.
Para quem quiser saber mais:

terça-feira, 19 de junho de 2012

um pedaço de uma leitura que gostei bastante...


"Certa vez, Noci me contou do vazio da sua relação com Aproximado. Como o namoro, com o tempo, se tinha vazado. Distintos que parecessem os nossos trajectos, nós pisávamos as mesmas pegadas. Eu saíra da minha terra para procurar um homem que me traía. Ela traía-se a si mesma com alguém que não amava.
-- Por que aceitamos tanto? – questionou Noci.
-- Quem?
-- Nós, mulheres. Por que aceitamos tanto, tudo?
-- Porque temos medo.
O nosso maior medo é o da solidão. Uma mulher não pode existir sozinha, sob o risco de deixar de ser mulher. Ou se converte, para tranquilidade de todos, numa outra coisa: numa louca, numa velha, numa feiticeira. Ou, como diria Silvestre, numa puta. Tudo menos mulher. Foi isto que eu disse a Noci: neste mundo só somos alguém se formos esposa. É o que agora sou, mesmo sendo viúva. Sou a esposa de um morto."

Mia Couto, Antes de nascer o mundo

sábado, 2 de junho de 2012

Yael Naim



Comprei o ingresso para o show da moça, meio no escuro, achando que se tratava de uma boa voz com piano, lá fui eu, assisti-la no Teatro do Sesc Pompeia na última quinta-feira, acompanhada de mim mesma, acabei me deparando com um dos melhores shows que vi nos últimos tempos.
Yael Naim me encantou, começou o show com uma simplicidade de poucos artistas e foi crescendo, integrando o público em suas falas e músicas como se estivesse entre velhos conhecidos, quando percebi estava tomada por sua musicalidade e pela energia que ela espalhou entre os que estavam presentes, chegando à conclusão que a música dissolve fronteiras e distâncias culturais e que existem pessoas que se iluminam e iluminam tudo a sua volta com o seu trabalho.
A desvantagem de assistir show sem a companhia de um amigo ou algo parecido é não poder dizer no final: “Caralho! O que foi isso? Que som foi esse?” Guardei para mim e compartilho um pedaço com vocês agora…

sábado, 26 de maio de 2012


Meu caro amigo me perdoe, por favor, mas não dá para sorrir e ser bem-humorado o tempo inteiro, há um limite. Entende? Há dias em que o dia sorri para você e outros não, há dias que você quer fazer parte do todo, conspirar com o universo e há dias que você precisa estar sozinho para fazer um ensaio do que é estar sozinho, porque chegamos neste mundo e partiremos assim, fato! Tem tempos que queremos arduamente as fotografias coloridas, mas há momentos que as cores ofuscam e você prefere os retratos em preto e branco. Gosto de observar os movimentos da natureza, as árvores não estão carregadas de frutos e flores o tempo inteiro, há aquelas fases nas quais elas ficam tristonhas, desprovidas de folhas, tímidas, fase necessária para elas chegarem a espalhar a vida no tempo que considerem certo. Mas o mundão quer sorrisos, quer frases “Cara, eu tô tão feliz!!!”, quer comentários otimistas nas miseráveis redes sociais: “Meeeeu que dia super lindo!!!”. Qualquer coisa que fuja das palavras de ordem do “amor” e da “alegria” é vista como transtorno. Pensemos...

domingo, 6 de maio de 2012

Domingo no parque


Há pouco tempo descobri o Parque da Juventude, próximo da minha casa, como boa paulistana deixo de conhecer lugares incríveis, por falta de tempo, interesse ou energia. Neste parque já vi bons shows em domingos pela manhã, mas a dinâmica de ver o show, caminhar um pouco e voltar para casa, faz com que detalhes bonitos de um domingo ao ar livre, em um lugar público passem desapercebidos. No contra fluxo dos grandes eventos, outro dia fiz um pic nic por lá para comemorar o aniversário de uma grande amiga e pude observar os arredores com calma o que fez com que absorvesse imagens  e sensações muito bonitas.