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| Praia do Paraíso (PA) - Foto: Juliana De Luca |
Parte I – Partir, deixar, desapegar...
Há
muito tempo não piso nas terras das mirações virtuais, pois estava ocupada com as
mirações terrenas, me entreguei para a vida vivida intensamente, para a
reflexão sobre os problemas cotidianos e suas possíveis soluções...
Há
exato um ano, larguei minha vida mais ou menos estável na Pauliceia Desvairada,
mantida por um trabalho que não me dava tesão e por uma estrutura construída com
muito trabalho e carinho por meus pais, mesmo assim, eu sentia sufocar, não
sabia de onde partia o sufoco, constatei que o trabalho que eu fazia não contribuía
para melhorar este mundão (acho que a gente passa por aqui para “melhorar”
alguma coisa), também não estava satisfeita em viver na selva de pedra, fui
vivendo, me deixando levar.
Depois de um longo inverno,
resolvi que estava desconectada de tudo que estava vivendo. Este sentimento
veio de forma gradual com a prática de hatha yoga e as conversas com a mestra Luiza
e explodiu com as reflexões após uma viagem com Ana, Júlia e Carol. Estas reflexões
foram molas propulsoras para este processo de deixar a vida que eu não gostava.
Embora já tivesse
passado por circunstâncias similares muitas vezes, sempre me faltou dois
elementos: coragem e $$$$. O maior problema sempre foi $$$$, mas não pagando
aluguel na cidade grande durante alguns anos, embolsei uma grana, então
finalmente deu pra mandar a vida que eu não gostava para a puta que pariu.
Mandei. Para fazer o quê? Subir.
Dentro do meu coração,
surgiu um desejo imenso de conhecer a Amazônia, de me aproximar das comunidades
tradicionais, de navegar, de me banhar nas águas doces, de encontrar o boto rosa
e assim me desconectar daquela vida tão urbana, chegou o tempo de deixar a periferia
de onde eu vim.

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