domingo, 5 de janeiro de 2014

Sobre deixar uma vida que você não gosta

Praia do Paraíso (PA) - Foto: Juliana De Luca

Parte I – Partir, deixar, desapegar...

            Há muito tempo não piso nas terras das mirações virtuais, pois estava ocupada com as mirações terrenas, me entreguei para a vida vivida intensamente, para a reflexão sobre os problemas cotidianos e suas possíveis soluções...
            Há exato um ano, larguei minha vida mais ou menos estável na Pauliceia Desvairada, mantida por um trabalho que não me dava tesão e por uma estrutura construída com muito trabalho e carinho por meus pais, mesmo assim, eu sentia sufocar, não sabia de onde partia o sufoco, constatei que o trabalho que eu fazia não contribuía para melhorar este mundão (acho que a gente passa por aqui para “melhorar” alguma coisa), também não estava satisfeita em viver na selva de pedra, fui vivendo, me deixando levar.
Depois de um longo inverno, resolvi que estava desconectada de tudo que estava vivendo. Este sentimento veio de forma gradual com a prática de hatha yoga e as conversas com a mestra Luiza e explodiu com as reflexões após uma viagem com Ana, Júlia e Carol. Estas reflexões foram molas propulsoras para este processo de deixar a vida que eu não gostava.
Embora já tivesse passado por circunstâncias similares muitas vezes, sempre me faltou dois elementos: coragem e $$$$. O maior problema sempre foi $$$$, mas não pagando aluguel na cidade grande durante alguns anos, embolsei uma grana, então finalmente deu pra mandar a vida que eu não gostava para a puta que pariu. Mandei. Para fazer o quê? Subir.
Dentro do meu coração, surgiu um desejo imenso de conhecer a Amazônia, de me aproximar das comunidades tradicionais, de navegar, de me banhar nas águas doces, de encontrar o boto rosa e assim me desconectar daquela vida tão urbana, chegou o tempo de deixar a periferia de onde eu vim.