A prática da yoga me deixou mais conectada com os movimentos
internos e externos do meu corpo e com as conexões dele com a natureza, passei
a observar como meus ciclos estão ligados aos ciclos da lua, por exemplo,
também percebi como tudo funciona melhor quando não estou fazendo uso de
anticoncepcionais hormonais, que me causam uma alteração de humor tão violenta
que eu pessoa apaixonada pela vida, tenho vontade de me atirar embaixo de um
ônibus ou incendiar minha própria casa, além de enxaquecas, mal estar, entre
outras pendengas. Ler a bula de um anticoncepcional é algo assustador, os
efeitos colaterais a curto e longo prazo são muitos, ignorei estes por muitos
anos, pois em nome da praticidade, deixamos de lado questões importantes e só
quando o bicho pega nos damos conta delas, recentemente fui diagnosticada com
um mioma uterino e ao ler com atenção uma bula do anticoncepcional que tomei
por muito tempo, vi que este é um dos possíveis efeitos colaterais.
Pois bem, não adianta chorar o leite derramado, parti em busca
de alternativas aos métodos anticoncepcionais hormonais, não acho prudente
confiar só na “prudence” e comecei a conversar e pesquisar sobre o assunto.
Cheguei à conclusão de que o uso do diafragma poderia ser uma boa opção para
mim, pois é um método inócuo, simples e barato comparado ao que se tem por aí.
No mês de junho procurei uma ginecologista para me ajudar a
executar o plano no Centro de Referência da Mulher do meu convênio
“Intermédica” e daí começou uma verdadeira via-crúcis que parece longe de
acabar, o Centro de Referência da Mulher não possui equipamentos, nem
profissionais que possam prescrever o uso do diafragma, ao insistir na escolha
do meu método anticoncepcional, fui convidada para uma segunda consulta com uma
outra médica que quis me convencer que o “DIU” seria muito melhor para mim, mas
concluí que não quero usar este método, pois é recomendável para mulheres que
já tiveram filhos e ouvi alguns relatos que não me agradaram. Enfim depois de
mais de dois anos pagando o tal convênio, percebi que seria difícil receber
ajuda, o que causou além da perda de tempo, indignação. Nas pesquisas na
internet soube que algumas Unidades Básicas de Saúde do SUS, realizam o
procedimento, mas o tempo do SUS pode ser literalmente uma vida e a comunicação
via telefone ou internet é impossível, então me vi na tal situação “no mato,
sem cachorro”. Depois de no mínimo umas trinta ligações para diversos
consultórios médicos de São Paulo, encontrei uma médica que realiza o
procedimento, mas como nada é simples teve que acontecer uma conversa contando
toda a minha história, espero que a epopeia esteja chegando perto do fim.
O resumo da ópera e o que gostaria de compartilhar com vocês, é
que percebi como é complicado fazer valer as nossas escolhas, quando elas fogem
um pouco da rotina, do método que é imposto para a maioria, óbvio que os
benefícios que as mulheres tem e tiveram com o uso da pílula são indiscutíveis,
mas será esta a única opção? Escolher o que você quer ou não quer fazer com o
seu corpo, é um papo sério, ultimamente vejo uma militância engajada das
mulheres que defendem o parto humanizado, um viva para as mulheres que querem
escolher como ter seus filhos e um viva para as mulheres que querem escolher
como NÃO ter os seus filhos.
Para quem quiser saber mais:
Curti!
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