| Ilha do Combu, Pará |
Quando se decide
começar o ano mais cedo, antes do carnaval, a punição é severa. Eu
decidi não só começar o ano antes, mas começar uma vida mais ou menos nova,
dentro das possibilidades cabivéis. Do sudeste para o norte.
Há tempos quero revisar as minhas mirações para tentar dar conta deste
movimento todo, coisa dos últimos meses, mas não tive tempo, nem vontade para
fazer isto, desde então. Depois de uma visitinha à Cidade do México e seus
arredores, cheguei a conclusão que não é possível “mirar” em apenas 10, 20, 25
ou 30 dias e que era necessário “mirar” para além da minha vida
periférica-alternativex, burocrática paulistana, é preciso de mais tempo para
sonhar com outras perspectivas que não sejam tão formatadas. O formato de viagem
“férias”, pode trazer vários elementos como: a possibilidade de largar a vida
para viver neste novo lugar, a valorização do seu trabalho pelas oportunidades que este pode te trazer para explorar o mundo ou a a conclusão de que a sua vida não está de acordo com o que você pensa e acredita.
Acabei me deparando com esta última opção e uma das primeiras coisas que
se apresentaram como uma barreira quase que instransponível foi deixar meu
carnaval do eixo São Paulo-Rio de Janeiro.
Passei o sábado de carnaval na Ilha do Combu, procurando o boto-rosa, vendo
as crianças se banharem na margem do
rio, vendo as roupas coloridas em distantes varais, movimentando-me na água
doce e trocando palavras de interesse, interessantes. Quando o sol caiu, voltei
para casa para concluir que este carnaval foi o mais natural de todos os tempos.
E que existe algo além da margem do rio, que eu preciso transpor, sem fantasia.
Talvez para me preparar para isto, foi necessário vestir-me de sobriedade.