segunda-feira, 21 de outubro de 2013

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Carnaval natural

Ilha do Combu, Pará
Carnaval é uma consequência, dos anos mal vividos e bem vividos. É aquele intervalo, depois daquelas festividades enfadonhas e as doces férias de verão (que em São Paulo podem ser frias) e o momento em que o ano começa de verdade para valer valendo. Sejamos  honestos, nada começa antes do carnaval, neste Brasil, sil, sil...
Quando se decide começar o ano mais cedo, antes do carnaval, a punição é severa. Eu decidi não só começar o ano antes, mas começar uma vida mais ou menos nova, dentro das possibilidades cabivéis. Do sudeste para o norte.
Há tempos quero revisar as minhas mirações para tentar dar conta deste movimento todo, coisa dos últimos meses, mas não tive tempo, nem vontade para fazer isto, desde então. Depois de uma visitinha à Cidade do México e seus arredores, cheguei a conclusão que não é possível “mirar” em apenas 10, 20, 25 ou 30 dias e que era necessário “mirar” para além da minha vida periférica-alternativex, burocrática paulistana, é preciso de mais tempo para sonhar com outras perspectivas que não sejam tão formatadas. O formato de viagem “férias”, pode trazer vários elementos como: a possibilidade de largar a vida para viver neste novo lugar, a valorização do seu trabalho pelas oportunidades que este pode te trazer para explorar o mundo ou a a conclusão de que a sua vida não está de acordo com o que você pensa e acredita.
Acabei me deparando com esta última opção e uma das primeiras coisas que se apresentaram como uma barreira quase que instransponível foi deixar meu carnaval do eixo São Paulo-Rio de Janeiro. 
Passei o sábado de carnaval na Ilha do Combu, procurando o boto-rosa, vendo as crianças se banharem na  margem do rio, vendo as roupas coloridas em distantes varais, movimentando-me na água doce e trocando palavras de interesse, interessantes. Quando o sol caiu, voltei para casa para concluir que este carnaval foi o mais natural de todos os tempos. E que existe algo além da margem do rio, que eu preciso transpor, sem fantasia. Talvez para me preparar para isto, foi necessário vestir-me de sobriedade.