Os dias
de TPM significam para mim uma vontade de deixar o corpo descansar,
infelizmente não há esta possibilidade nos dias ditos utéis, mas com
um final de semana inteirinho para mim, minha escolha foi alugar cinco filmes,
por cinco reais, ficar com os meus livros e com três Stellas Artois que estavam
debaixo da escada.
Um dos filmes, tenho até vergonha de citar o nome,
tratava de um romance mamão com açúcar com pitadas de humor, bem século XXI,
uma moça encalhada e insegura que passou dos trinta anos e precisa encontrar um
marido como única solução de sobrevivência digna. Este tema é batido, em séries,
novelas, filmes, romances como os da irlandesa Marian Keyes, em alguns
momentos até achei a temática divertida, mas hoje concluí que são histórias que
exploram um drama humano para lá de deprimente.
Tanto se fala da liberação das mulheres, da conquista
dos postos de liderança e de outras façanhas femininas, mas desde muito tempo
as histórias das Cinderelas e a perseguição obstinada do grande final feliz que
vem embutido com a pergunta: “Você quer casar comigo?” Continuam a espreitar
meninas e mulheres colocando a felicidade como um fim e não como um processo, que
deve ser constante e equilibrado, não limitado a porra de um pedido de
casamento e seus desdobramentos.
Poderia escrever dias e dias sobre isso, com base nas
minhas experiências e observações, como um Marquês de Sade despirocado em sua cela,
mas o que quero dizer é que as possibilidades de plenitude e de equílibrio não estão
limitadas ao fato de você ter um macho alfa colado em você ou não.
Existem múltiplos caminhos e possibilidades, sem
radicalismos, eu respeito quem assume esta opção, embora sinta que em muitas
circunstâncias não sou respeitada na minha, o fato de não ser uma senhora e não
ter esta questão como foco da minha vida não quer dizer que eu seja uma pessoa
amarga ou mal humorada. Gosto de caminhar na grama molhada, sentir o calor do
sol, passar o dia na praia, viajar, comer pipoca fazendo barulhinho no cinema, gosto
de crianças, de brigadeiro, de conversar com velhos simpáticos, de conhecer
pessoas e não tomo ansiolíticos e nem nada parecido.
Portanto, não me aporrinhem, com esta história de
marido, noivo ou namorado. Definitivamente, eu não PRECISO, de um príncipe (des)
encantado!